Um vídeo recente nas redes sociais chamou a atenção nos últimos dias. Nas imagens, um famoso cantor sertanejo aparece focado na academia, realizando um treino pesado. Aos 44 anos, ele exibiu uma rotina de hábitos saudáveis e até brincou na legenda da publicação sobre querer trocar a música ambiente do local. A postagem logo rendeu comentários de apoio.
No entanto, essa fase de energia e disposição física reflete uma vitória muito maior do que a mudança estética. No passado, exatamente no auge do sucesso e cercado pelo luxo que a fama proporciona, o artista enfrentou uma batalha severa e silenciosa contra a depressão. Por muito tempo, a gravidade da doença foi mantida em absoluto mistério para evitar o vazamento na mídia, provando que o dinheiro e o sucesso financeiro não impedem o adoecimento emocional.
Esse sertanejo é César Menotti, da dupla com Fabiano. A verdade sobre o período sombrio veio a público em entrevistas marcantes, como no programa Encontro e, mais recentemente, detalhada ao Positivamente Podcast. O cantor relatou que a depressão o levou ao fundo do poço, exigindo medidas extremas de isolamento para buscar a cura longe dos holofotes e da pressão do público.
Internação em segredo e acerto de contas
Para tratar a mente, César Menotti buscou o apoio do pastor André Valadão e passou por um retiro em uma estância em Minas Gerais. Foram cerca de 12 dias internado, período em que ele descreveu estar com a “alma destruída”. No local, recebeu cuidados de psicólogos e líderes espirituais, e saiu com a orientação médica de iniciar um acompanhamento psiquiátrico constante.
Uma das etapas mais difíceis aconteceu logo após a alta clínica. O cantor procurou o pai para uma conversa de perdão e acerto de contas. Apenas 60 dias após esse momento, o pai faleceu. Menotti avalia hoje que, sem essa reconciliação a tempo, sua cura seria um processo quase impossível.
O peso do luxo e a falta de compreensão
Durante a fase mais crítica da doença, o artista lidou com a falta de entendimento das pessoas próximas. Ele ouvia comentários de que alguém com carros de luxo e uma vida financeira estabilizada não tinha motivos para ficar daquele jeito. A pressão era tão grande que ele usou seu período de férias para se internar, mantendo o tratamento em sigilo. O cantor lembra que a doença o deixou fraco e recluso, tirando até mesmo as forças para pedir socorro.
Fé, tratamento contínuo e vida real
Além da medicina, a espiritualidade teve um papel central na melhora do sertanejo. A sua aproximação com a fé começou ainda na juventude em São Paulo e é marcada por um mistério familiar: toda a sua família se converteu em diferentes partes do Brasil na mesma época, sem que um soubesse do outro.
Apesar da melhora e da vida estabilizada, César Menotti é realista sobre a doença. Ele faz tratamento médico há mais de dez anos, continua fazendo uso de medicamentos e encontrou em ferramentas de coaching um apoio prático para lidar com as emoções diárias. Ele não esconde que a luta por qualidade de vida é constante.
Um alerta sobre a exposição na internet
Com a experiência de quem superou a fase mais aguda da depressão, o artista deixa um conselho direto: procure profissionais capacitados. Ele alerta sobre o perigo de desabafar com pessoas despreparadas ou de expor a dor emocional nas redes sociais. Segundo Menotti, a carência atrai a exposição desnecessária, e o caminho mais seguro é abrir o coração apenas para quem realmente tem ferramentas para ajudar, seja um psiquiatra, um psicólogo ou uma rede de apoio sólida.